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Meio Ambiente

Recuperação dos ecossistemas da bacia do Rio Doce receberá investimento de R$ 232,7 milhões

Projeto coordenado pelo IEF prevê restauração de habitats, controle de espécies invasoras, monitoramento ambiental e ações de educação ambiental em...

25/06/2026 09h01
Por: Redação
Fonte: Secom Minas Gerais
IEF / Divulgação
IEF / Divulgação

A recuperação dos ecossistemas aquáticos da Bacia do Rio Doce contará com um investimento de R$ 232,7 milhões por meio do Projeto de Restauração Ecológica de Ecossistemas Aquáticos Prioritários, recursos do Acordo de Reparação do Rio Doce. Coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) , o programa terá duração inicial de cinco anos, com possibilidade de prorrogação por até duas décadas.

A iniciativa tem como objetivo restaurar leitos e habitats aquáticos de rios, córregos e tributários do rio Doce, fortalecer a biodiversidade e contribuir para a recuperação gradual dos estoques pesqueiros nativos da bacia hidrográfica. 

Restauração intracalha da sub-bacia do rio Santo Antônio

Por meio de um mapeamento detalhado, serão conduzidas ações de restauração dos habitats aquáticos, com foco na melhoria das condições ecológicas dos rios, por meio de um conjunto de intervenções voltadas à recuperação desses ambientes. Como destaca a diretora da DFAU, Ariane Goulart, “entre as medidas previstas estão a implantação de estruturas de bioengenharia, remoção de pequenos barramentos, desassoreamento de trechos críticos e recuperação de áreas essenciais para alimentação, abrigo e reprodução de espécies nativas”. 

Nos cinco primeiros anos de execução, as intervenções intracalha e os esforços de recuperação dos leitos e habitats aquáticos estarão concentrados na sub-bacia do Rio Santo Antônio, considerada estratégica para a conservação da fauna aquática da região. 

Controle de espécies exóticas e invasoras e monitoramento ambiental

Outra frente importante do projeto será o controle de espécies de peixes exóticas e invasoras em toda a Bacia do Rio Doce. Para isso, serão utilizadas técnicas como pesca tradicional, com prioridade para a contratação de pescadores locais, e pesca elétrica. A medida busca não apenas favorecer a recuperação ambiental, mas também gerar oportunidades de trabalho e renda para as comunidades da região.

O programa prevê ainda a implantação de uma ampla rede de monitoramento ambiental, que permitirá acompanhar periodicamente a qualidade dos habitats aquáticos, a biodiversidade e as populações de peixes existentes em toda a bacia. Os dados obtidos servirão para avaliar a efetividade das ações executadas e orientar ajustes nas estratégias de recuperação ao longo do projeto.

Educação ambiental e mobilização social

Para a remediação ou contenção de escapes de peixes de tanques e estruturas de criação, bem como para a adequação das práticas de biossegurança, serão executadas ações junto aos piscicultores locais. Essas ações incluem, quando necessário, intervenções nas estruturas de aquicultura, o auxílio na elaboração de procedimentos operacionais padrão para redução da perda de indivíduos por escape e o apoio à triagem de indivíduos durante o cultivo.

Além das intervenções ambientais, a iniciativa investirá em educação ambiental voltada a pescadores, lojistas de peixes ornamentais, comunidades ribeirinhas e demais moradores da bacia. O objetivo é ampliar a participação da população na conservação dos rios e incentivar práticas sustentáveis relacionadas ao uso dos recursos hídricos.

De acordo com o IEF, o projeto contribuirá diretamente para a melhoria das condições ambientais dos cursos d’água da bacia, favorecendo a recuperação dos ecossistemas aquáticos e criando condições para a retomada gradual e sustentável da atividade pesqueira. A pesca representa uma importante fonte de renda para diversas comunidades atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em 2015.

“A reestruturação de habitats aquáticos funcionalmente depauperados garante a criação de áreas núcleo de conservação da biodiversidade, composta por ‘arquipélogos’ contendo alta biodiversidade aquática associada a uma elevada qualidade ambiental”, finaliza Leandro Guimarães, gerente de conservação e restauração da fauna aquática e pesca.

A iniciativa encontra-se atualmente em fase final de análises técnicas e ajustes para a publicação do edital de execução, prevista para julho de 2026. A expectativa é que as primeiras ações sejam iniciadas em 2027, marcando mais uma etapa do processo de reparação ambiental e recuperação dos recursos naturais da Bacia do Rio Doce.

O rompimento da barragem de Fundão causou a morte de 19 pessoas e provocou danos ambientais em grande escala. O acordo foi assinado em outubro de 2024 pelos governos de Minas Gerais, Espírito Santo e Federal, os Ministérios Públicos Federal e estaduais, as Defensorias Públicas da União e estaduais e as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton.

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