Garantir a plena saúde feminina nas escolas é, além da preservação de direitos, um ato de cuidado. Por isso, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) promove o programa Cuidar-SE nas escolas da Rede Pública Estadual de Educação. Entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026, foi investido um montante de R$ 1.306.144,49 no autocuidado e na oferta de absorventes nas escolas para pessoas que menstruam. Mais do que uma simples oferta de itens básicos de higiene, o programa fortalece os direitos humanos e evita a evasão escolar em períodos de menstruação.
De 2024 até os dias atuais, foram investidos cerca de R$ 3.217.451,87 no programa para a oferta dos absorventes nas escolas, de forma gratuita. São realizadas palestras - muitas em parceria com o programa Acolher - sobre a saúde íntima feminina, higiene pessoal e direitos das mulheres. Além disso, o programa realiza ações educativas focadas no cuidado da saúde sexual de todos os estudantes das escolas, com orientações sobre relações seguras e prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Cuidar-SE nas escolas da rede
Todas as 319 escolas da Rede Pública Estadual de Educação estão no programa Cuidar-SE. Com o dinheiro investido entre o final de 2025 até este primeiro semestre do ano, foram comprados 305.879 pacotes de absorventes, distribuídos em todas as Diretorias Regionais de Educação (DREs), incluindo a Diretoria de Educação de Aracaju (DEA).
A coordenadora do Serviço de Direitos Humanos (Sepedh), do Departamento de Apoio ao Sistema Educacional (Dase), Adriane Damasceno, reforça que este ano tem sido de fortalecimento do programa. “Nós começamos a inserir a dignidade menstrual como a cultura escolar. Isso quer dizer que as pessoas que menstruam compreendem que o absorvente é um direito. O autocuidado também. E isso se fortaleceu pelas ações pedagógicas realizadas pelas próprias escolas com suas equipes”, comenta.
Ela também afirma que cada DRE possui pontos focais de colaboração, que ajudam na manutenção do programa, atendendo às necessidades das pessoas que menstruam. Além disso, a coordenadora do Sepedh reforça que as unidades de ensino têm acesso a um sistema de monitoramento das escolas, o SIGA, que ajuda a observar a logística dos absorventes nas escolas (entra e sai dos materiais), dando mais controle à gestão escolar.
Acolhimento e cuidado
De Nossa Senhora do Socorro (DRE 8), o Colégio Estadual João Batista Nascimento é um exemplo de unidade escolar atendida pelo programa Cuidar-SE. São mais de 1.200 estudantes, entre alunas e alunos orientados pelo programa. O diretor da escola, Dilson Gonzaga Sampaio, explica a importância do programa para sua escola.
“Não existe mais aquela situação de a aluna não vir à escola pela falta do absorvente, ou por algum momento em que a menstruação acontece na dependência da escola a aluna ter que ir, de imediato, para casa. O programa visa, também, fazer uma correção histórica com relação à vulnerabilidade, que as meninas têm logo no início do seu ciclo menstrual. Isso é importante porque dialoga com as questões de direitos humanos”, afirma, reforçando, também, a importância da educação sexual para jovens.
A estudante Maria Luiza dos Santos, do 3° ano do Ensino Médio, é uma das alunas do ‘João Batista’ e é assistida pelo Cuidar-SE. Para ela, o programa ajuda a ter mais informação sobre a menstruação. “O programa é muito importante, pois ajuda meninas a perderem um pouco do tabu estigmatizado pela sociedade a respeito do período menstrual. Esse projeto me ajuda economicamente também, porque, com a oferta gratuita, as meninas do colégio não precisam mais comprar com urgência”, comenta, reforçando a importância das palestras feitas na escola, que as ajudam a entender mais sobre a saúde feminina.
Já na cidade de Nossa Senhora das Dores (DRE 5), o Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral General Calazans também é outro exemplo de escola assistida pelo programa. O diretor Raul dos Santos Santana explica que as ações do Cuidar-SE são realizadas por lá, tanto com a oferta dos absorventes, quanto com as palestras educativas para todos os estudantes, com o objetivo de conscientizar e trazer a informação sobre a saúde sexual.
“O absorvente contribui para ampliar a qualidade de vida de nossas alunas e familiares. Esta ação contribui para vencer um tabu ainda muito presente em nossa sociedade, que é o acesso à dignidade menstrual. Muitas famílias são carentes e não conseguem, muitas vezes, suprir a necessidade das crianças e adolescentes em idade menstrual. O programa reforça o papel do Estado em promover a qualidade de vida de nossos alunos e cidadãos”, explica o diretor da unidade escolar.
A estudante Kassiany Matos Ribeiro, do 2° ano do Ensino Médio, é uma das alunas atendidas pelo Cuidar-SE. Para ela, o programa ajuda a manter a rotina na escola e a se compreender melhor. “O Cuidar-SE garante que a gente não se ausente da aula por falta de absorvente. Antes, quando chegava a menstruação na escola, muitas pessoas não tinham como trocar de roupa, ficavam com medo e vontade de ir embora. Com a oferta, ficamos mais seguras, e conseguimos ficar até o fim da aula de forma tranquila. Além disso, aprender sobre autocuidado me fez entender melhor meu corpo e criar uma rotina para lidar com cólica e TPM - Tensão Pré-Menstrual - sem perder o foco nos estudos”, conta.
A coordenadora do Sepedh, Adriane Damasceno, reforça que o objetivo do programa é a garantia de direitos para as pessoas que menstruam. “A política de cuidado e autocuidado, da dignidade menstrual, do direito ao acesso à educação, de ir à escola com tranquilidade e aprender com tranquilidade é, na verdade, a garantia dos direitos humanos”, complementa.







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