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Estado de SP tem roteiros por onde passou Anchieta; confira

Na semana de celebração do Dia Nacional de Anchieta, a Setur-SP traça o mapa da cartografia a pé que o Apóstolo do Brasil andou, esquadrinhou e esc...

14/06/2026 07h45
Por: Redação
Fonte: Secom SP
Passarela que leva à Cama de Anchieta, em Itanhaém (foto: Douglas Piton / Setur-SP)
Passarela que leva à Cama de Anchieta, em Itanhaém (foto: Douglas Piton / Setur-SP)

Em maio de 1560, o padre jesuíta José de Anchieta escreveu um relatório chamado “Carta de São Vicente”, em que descreveu o que viu da Mata Atlântica, da geografia física e humana, da fauna e da flora presentes na então Capitania de São Vicente. Mas ele fez muito mais. Anchieta e a história do Brasil estão praticamente interligados. Em 9 de junho o jesuíta é homenageado em Dia Nacional, uma data que marca o seu falecimento, em 1597. Anchieta foi canonizado em 2014.

Para prestar essa homenagem e relembrar os passos do jesuíta, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) registrou alguns dos destinos por onde ele esteve, lugares que se tornaram turísticos e que lembram a passagem de Anchieta pelo território e pela história paulista.

Itanhaém

A segunda cidade mais antiga do Brasil abriga os Caminhos de Anchieta, um roteiro de seis atrações que celebram a passagem dele, entre 1563 e 1595: a Cama de Anchieta (uma formação rochosa onde ele descansava e compunha poemas), a Passarela de Anchieta (um passadiço suspenso de 220 metros, com vista para o mar), o Pocinho de Anchieta (uma estrutura de pedras construída por indígenas), os Painéis de Anchieta (mosaicos em pastilhas de vidro), o Monumento a Anchieta (uma estátua na Praça Narciso de Andrade) e a Igreja Matriz de Sant’Anna (que abriga a imagem da Virgem de Anchieta). Itanhaém está a 116 km da capital.

Ubatuba

Nas areias de Iperoig (atual Praia do Cruzeiro), onde hoje é Ubatuba, Anchieta compôs um poema dedicado à Virgem Maria, com mais de 5.700 versos. Como não tinha papel, ele memorizava os versos e os riscava com um cajado na areia. Anchieta esteve em Ubatuba em 1563. A Praia do Cruzeiro é uma extensa faixa de areia, com calçadão, com local para esportes e passeios, pista de skate, feirinha de artesanato e restaurantes. A ilha Anchieta, também em Ubatuba, tem esse nome em homenagem ao jesuíta. É a segunda maior ilha do litoral paulista, tem praias paradisíacas, rica vida marinha, trilhas, ruínas de um antigo presídio e praias (do Presídio e a Praia do Sul). Ubatuba fica a 220 km da capital paulista.

Praia do Cruzeiro (antiga Iperoig) em Ubatuba, onde Anchieta escreveu versos na areia (foto: Ken Chu / Setur-SP)
Praia do Cruzeiro (antiga Iperoig) em Ubatuba, onde Anchieta escreveu versos na areia (foto: Ken Chu / Setur-SP)

Itu

Anchieta esteve na aldeia de Maniçoba, às margens do Tietê, na atual Itu, para catequizar indígenas, aprender a língua dos nativos e conhecer o território. Itu homenageia o padre no Largo do Bom Jesus (hoje a Praça Padre Anchieta). Nessa praça, ficava a antiga capela de Nossa Senhora da Candelária, que deu origem ao município, em 1610, e à Igreja Matriz, que contém o maior patrimônio do barroco paulista, com altar e órgão magníficos. A Matriz é o coração histórico de Itu e, próximos a ela, estão o Semáforo Gigante, o Orelhão Gigante e lojinhas de souvenirs exagerados, além do Museu Republicano, da USP. Itu está a 96 km de São Paulo.

São Paulo

A capital tem muitas marcas da presença de Anchieta. Marco Zero de São Paulo, o Pateo do Collegio foi fundado em 1554 pelo Padre Manoel da Nóbrega, provincial jesuíta e seus auxiliares, entre eles, Anchieta. A Igreja São José de Anchieta, localizada no Pateo do Collegio, contém relíquias do santo e arquitetura do barroco paulista. O Monumento a Anchieta, em bronze, é uma escultura de 1954, para comemorar o quarto centenário da cidade e fica na Praça da Sé, em frente à Catedral. Ainda no Pateo do Collegio, o Museu Anchieta preserva objetos históricos e conta com uma maquete da Vila de São Paulo de Piratininga, no século XVI.

Outras passagens de Anchieta

Anchieta esteve em locais que hoje são estâncias turísticas, como São Vicente, por onde chegou à Capitania, em 1553. Na vila, ele aprendeu o tupi e escreveu a primeira gramática indígena da História. No Guarujá, o jesuíta rezou missas e catequizou indígenas na Ermida de Santo Antônio do Guaibê, que é uma das primeiras igrejas do Brasil, toda feita de pedras de sambaquis com óleo de baleia e conchas. Em Bertioga, Anchieta abrigou-se no Forte de São João, outro ponto turístico da cidade, antes de seguir para missões em Ubatuba, no litoral norte.

Forte de São João, em Bertioga, onde Anchieta se hospedou, no século XVI (foto: Elias Gomes / Setur-SP)
Forte de São João, em Bertioga, onde Anchieta se hospedou, no século XVI (foto: Elias Gomes / Setur-SP)

O espanhol cristão-novo que gerou São Paulo

Nascido em 1534 na ilha de Tenerife, nas Canárias (Espanha), José de Anchieta tinha ascendência judaica sefardita (da Península Ibérica) e pertencia a uma família de cristãos-novos (judeus convertidos à força ao catolicismo). Devido às óbvias restrições espanholas para que o rapaz entrasse em seminário católico, Anchieta foi enviado a Portugal, onde estudou na Universidade de Coimbra. Aos 17 anos, ingressou na Companhia de Jesus e, em julho de 1553, após dois meses de viagem, chegou ao Brasil, desembarcando em Salvador. Em outubro do mesmo ano, seguiu para a Capitania de São Vicente, participando da fundação de São Paulo, em janeiro de 1554. O padre jesuíta José de Anchieta morreu em 1597, no Espírito Santo.

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