Marabá - PA
39º Festejo Junino: Cambraia e Palmica, mestres de cultura, recebem homenagem por meio do nome oficial do evento
Você já se perguntou quem são Cambraia e Palmica, personagens presentes no nome oficial do Festejo Junino de Marabá? Junto dos nomes deles vêm a se...
24/06/2026 13h30
Por: Fonte: Prefeitura de Marabá - PA

Você já se perguntou quem são Cambraia e Palmica, personagens presentes no nome oficial do Festejo Junino de Marabá? Junto dos nomes deles vêm a seguinte frase: “Mestres da cultura tradicional marabaense”

Os dois são considerados precursores e maiores incentivadores dos bois-bumbás e, consequentemente, da cultura junina, em Marabá. Foi por meio do legado deixado por eles que hoje Marabá é uma potência junina, com um festejo que é tradicional e atrai milhares de pessoas todos os anos.

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Euclides Rodrigues, o Cambraia, veio de Belém, na década de 1920, conforme o filho dele, Graciliano Cambraia, relata. Consigo ele trouxe a admiração pela cultura do boi-bumbá e fundou o seu próprio.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Graciliano Cambraia, filho de Euclides Cambraia, precursor da Dança do Boi-Bumbá em Marabá

“Ele chegou, já gostava do boi em Belém e começou aqui. Ele fazia nos terrenos baldios aqui do estádio, ali quem vai para o Amapá, tinha uma área grande,, tinha as barracas”, relembra Graciliano.

Essas festas eram custeadas por algumas famílias ricas da época e seguiram até a metade da década de 1960. “Ele ficou até 1965, 1966. Era a vida dele”, reitera.

À medida que Marabá foi crescendo, as festas de boi-bumbá também se popularizaram e começaram a acontecer em outros pontos da cidade. Com a construção do Zinho Oliveira, na década de 1970 e, após Cambraia deixar o universo dos bois-bumbás, o estádio recebeu o Arraial do Boi.

“O papai era muito extrovertido, muito alegre, trabalhava na limpeza pública, mas naquele tempo fazia tudo. Até se morresse uma determinada pessoa, ele é que tinha que mandar enterrar, passava para levar o pessoal indigente”, conta Graciliano.

Apesar de ter sido criado nesse meio, Graciliano nunca participou do boi-bumbá do pai que, após muitos anos, passou a ter uma casa noturna.

Foi também durante a década de 1960 que houve a passagem de bastão de Cambraia para Palmica, no sentido de fomento à cultura do boi-bumbá.

O apelido Cambraia veio porque ele só usava roupa de linho branco. O Mestre de Cultura veio a falecer em 1973, segundo Graciliano.

“Eu só tenho que agradecer essa homenagem que estão fazendo ao meu pai. Na cultura ele teve um papel importante e até para o desenvolvimento da cidade. Esse boi saía daqui, percorria essas cidades todas, ia até São João do Araguaia. Ele era tudo na minha vida. Quando o legado é para o lado bom, é positivo, é bacana”, destaca.

O Mestre de Cultura Zé do Boi, conhecido por estar à frente do Boi-bumbá Flor do Campo, fundado em 1990, em São Domingos do Araguaia, e de outras iniciativas culturais, chegou em Marabá no início da década de 1990.

Ele conta que conheceu Palmica, apelido de Epaminondas Cordeiro de Castro, que veio para Marabá aos 6 anos vindo do Maranhão, quando este levou o seu boi, o Tira-Fama, para se apresentar em São Domingos. No entanto, esse encontro também aconteceu na época da morte de Palmica, que ocorreu em 24 de julho de 1990, aos 54 anos.

Semanas antes de sua morte, Palmica havia recebido autorização para transferir seu festejo do bairro Laranjeiras para a Praça São Félix de Valois. Porém, não chegou a ver a concretização da mudança.

Foi nesse momento da morte de Palmica e da chegada de Zé do Boi que este passou promover a festa do Boi-bumbá.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Zé do Boi

“Eu fui fazer esse arraial. Coloquei o Boi Flor do Campo aqui em Marabá, pela primeira vez, em 1993. Fiz dois anos na feira coberta, fiz um na Transamazônica, em frente ao Bolinha, do lado da Infraero. Ainda hoje estou com os documentos guardados. Foram oito documentos para fazer a festa lá e eu teimando fiz. Mas já não foi bom, como os outros arraiais que o Palmica fazia”, comenta Zé do Boi.

Jarina Sousa, filha do Mestre de Cultura Palmica relembra como era a cultura do boi-bumbá em sua infância, quando o pai organizava as festas. Na “morte” do boi, ele era escondido nas casas dos participantes e todos iam atrás para encontrá-lo.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Jarina Sousa, filha de Palmica, Mestre de Cultura

“Era aquela diversão. Entrava na casa de um, entrava na rua de um, entrava na rua de outro. A gente ia atrás até encontrar e fazia a matança do boi. Era muito bom também. Hoje, está muito diferente”, relembra.

Jarina rememora ainda momentos felizes ao lado de Palmica, como as brincadeiras.

“A gente brincava muito. Eu lembro do último arraial, foi na Laranjeiras. A gente brincou bastante, ele ficou com a gente até lá no arraial. Depois que acabou a brincadeira, ele voltou e a gente ficou até umas 3 horas da manhã. Parece que ele já estava se despedindo. De todas as brincadeiras, essa foi a melhor. Ele estava muito feliz. Eu era muito nova, mas eu lembro. Ele me pegava no colo, me botava em cima do boi”, conta.

Na entrevista, Jarina entoou a última toada cantada pelo pai antes de morrer.

“Tira fama, se despede
e vai dizendo adeus.
Adeus tira fama,
adeus, coração meu.
Cravo de rosa, pastora de alecrim,
me conte moreninha
se o meu boi passou aqui,
me conte moreninha
se o meu boi passou aqui”.

O secretário de Cultura de Marabá, Genival Crescêncio, ressalta a relevância cultural em prestar essa homenagem a duas personalidades que ajudaram a moldar o cenário cultural da cidade.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Genival Crescêncio, secretário de Cultura de Marabá

“É uma forma de homenagear dois produtores culturais que desenvolviam a prática de boi-bumbá na cidade. Eram muito famosos aqui. Um percorria a Velha Marabá, o outro percorria as ruas da Liberdade. Salvo engano no centenário da cidade, em 2013, a Secretaria Municipal de Cultura achou mais do que justo colocar o nome do nosso arraial de Cambraia e Palmica, dois mestres da Cultura Popular”, observa.

Para Ademar da Santa Rosa, que possui 38 anos de experiência no universo junino de Marabá, a homenagem é mais do que justa.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Ademar da Santa Rosa, diretor da junina Fogo no Rabo

“Isso, para nós, é motivo de muito orgulho a gbt defender quem fez. Que por mais que não estejam mais conosco, mas que fizeram muito pela cultura do nosso município e a cultura junina. É por isso que é bom a gente conhecer um pouco as nossas tradições culturais para que a gente possa homenagear essas pessoas e fazendo com que nunca caiam no esquecimento”, pontua.

Texto: Ronaldo Palheta
Fotos: Sara Lopes

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