As queimaduras estão entre os traumas mais graves e incapacitantes, podendo deixar sequelas físicas, emocionais e sociais que impactam profundamente a vida dos pacientes e de suas famílias.
Para conscientizar a população sobre a prevenção desses acidentes, o Complexo Hospitalar de Urgência da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) apoia a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) na promoção da campanha Junho Laranja que, em 2026, traz como tema "Trabalho seguro sem queimaduras", destacando a importância da segurança no ambiente laboral.
Referência nacional no atendimento a vítimas de queimaduras, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital João XXIII (HJXXIII), desempenha papel fundamental na assistência especializada, reabilitação e promoção de ações educativas voltadas à prevenção desses acidentes, especialmente no mês da campanha.

Prevenção evita acidentes e reduz impactos sociais
Segundo a coordenadora do CTQ, Nikole Lello, grande parte dos acidentes de trabalho que resultam em queimaduras está relacionada a falhas que poderiam ser evitadas com medidas simples de segurança.
Entre os principais fatores observados pela equipe estão a ausência ou o uso inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs), a falta de protocolos claros para execução das atividades e práticas improvisadas.
"Quando esses fatores se combinam, ou mesmo quando apenas um deles está presente, o risco de acidente aumenta significativamente", explica.
Nikole destaca que os casos mais frequentes atendidos pela unidade envolvem queimaduras por chama, acidentes com eletricidade e lesões provocadas por líquidos superaquecidos, especialmente em cozinhas industriais, siderúrgicas, canteiros de obras e atividades ligadas ao setor elétrico.
Para a profissional além do sofrimento físico, as queimaduras podem gerar consequências duradouras para os trabalhadores e para toda a sociedade.
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"A queimadura deixa marcas para a vida toda. Dependendo da gravidade, o paciente pode não conseguir retornar às suas atividades profissionais, gerando impactos econômicos, psicológicos e sociais", ressalta Nikole Lello. | ||||
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Alerta de uma vítima
Aos 23 anos, a garçonete Karina Alves viu sua rotina mudar após sofrer um grave acidente de trabalho no Dia das Mães deste ano. Atuando como freelancer em um restaurante de Santa Luzia, ela teve queimaduras de segundo e terceiro graus no peito, braços e coxas ao acender um réchaud. "Na hora que coloquei o álcool, explodiu tudo e começou a pegar fogo em mim", relembra.
Karina está internada há mais de um mês no HJXXIII, onde chegou a permanecer uma semana em coma, e já passou por quatro cirurgias, incluindo procedimentos de enxertia. A jovem destaca a importância de treinamento adequado para manuseio de materiais inflamáveis. "Faltou orientação sobre os materiais corretos que deveriam ser utilizados naquele momento", ressalta.
De paciente a diretor
Para o diretor assistencial do Hospital João XXIII, Samuel Cruz, a história do CTQ se confunde com sua própria trajetória. Quando tinha 5 anos, ele foi paciente após sofrer um acidente doméstico que causou queimaduras em cerca de 70% do corpo.
Hoje, como gestor do hospital, destaca a evolução e a relevância do serviço, consolidado como um dos principais centros da América Latina na redução de sequelas, recuperação funcional dos pacientes e na preservação de vidas.
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"O CTQ do João XXIII é uma referência construída ao longo de gerações, reconhecida pela excelência assistencial, pela formação de profissionais e pelo atendimento humanizado", afirma Samuel Cruz. | ||||
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Números
Em 2025, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital João XXIII realizou 1.829 atendimentos. O principal motivo de entrada foi a queimadura por líquido quente, responsável por 1.054 casos no período. Em 2026, já são 822 casos atendidos.
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