Para muitas pessoas, doar sangue é um gesto de solidariedade. Para quem convive com a doença falciforme, a doação pode representar mais qualidade de vida, prevenção de complicações e continuidade do tratamento. Celebrado em 19 de junho, o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme chama a atenção para a enfermidade, que é genética, hereditária e caracterizada por alterações nas hemácias.
Em Sergipe, o Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), unidade gerida pela Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), integra a linha estadual de cuidado às pessoas com doença falciforme, oferecendo acompanhamento hematológico especializado e suporte transfusional.
De acordo com o superintendente e hematologista do Hemose, Richer Mota, a unidade desempenha papel fundamental na assistência aos pacientes. “O Hemose tem importância desde a confirmação diagnóstica até o suporte transfusional dos pacientes, que é uma das principais funções desempenhadas pela unidade. Estes pacientes podem precisar de transfusões em diferentes momentos da vida, por isso o acompanhamento especializado é fundamental”, destacou.
Segundo o especialista, o número de pacientes acompanhados pela unidade é dinâmico, já que novos usuários são incorporados continuamente à linha de cuidado da doença falciforme no estado.
Acompanhamento especializado
Foi por meio do teste do pezinho que a dona de casa Jaciara Pereira descobriu que o filho, Natan, era portador de anemia falciforme. A família morava em Pernambuco, mas vive em Sergipe há quatro anos e seis meses. Desde que passou a residir no estado, Natan é acompanhado pelo Hemose, onde recebe atendimento especializado para o controle da doença. Ao longo do tratamento, ele já precisou receber duas transfusões de sangue durante períodos de internação.
“A gente descobriu a anemia falciforme quando fizemos o teste do pezinho. Procuramos entender a doença para poder dar uma vida melhor para ele, tratar, cuidar e oferecer o melhor possível. O que me dá força é Deus e a necessidade de ser o suporte do meu filho. O atendimento realizado para ele é essencial para evitar as crises e acompanhar como ele realmente está. Sempre que preciso de atendimento, encontro acolhimento, orientação e apoio. Isso faz toda a diferença para nós”, enfatizou.
A dependência do suporte transfusional também faz parte da rotina de Antônio Vitor, de 27 anos, acompanhado pelo Hemose há 15 anos. Segundo a mãe dele, Shirleide Santos de Souza, as transfusões são indispensáveis para a manutenção da saúde do filho, que, além da doença falciforme, convive com uma condição neurológica rara.
“Meu filho sempre precisa de transfusões de sangue. Quando a hemoglobina dele baixa, a parte neurológica fica muito comprometida e ele também entra em crises da doença falciforme. A transfusão sempre ajuda a melhorar o quadro dele. Eu só tenho a agradecer a Deus e a toda a equipe do Hemose pelo atendimento. O acolhimento é excelente. Quando precisamos, sempre encontramos apoio, orientação e cuidado. É um suporte muito importante para nós e para todos os pacientes”, relatou.
Estoques de sangue são essenciais
Para pacientes com doença falciforme, a disponibilidade de sangue é um dos pilares da assistência. Segundo Richer Mota, manter os estoques abastecidos é indispensável para garantir o suporte necessário aos pacientes que podem necessitar de transfusões em diferentes momentos da vida.
“Como o suporte transfusional é uma das principais ações dentro da linha de cuidado da doença falciforme, é essencial orientar e estimular as doações junto à população, familiares e amigos dos pacientes. Nossos queridos doadores, que têm esse intuito de demonstrar amor e ajudar o próximo, contribuem diretamente para o tratamento das pessoas com anemia falciforme, que convivem durante toda a vida com a possibilidade de necessitar de transfusões. Quando conscientizamos a sociedade sobre a doença, também mostramos aos doadores o quanto esse gesto pode ajudar a salvar vidas”, disse.
Shirleide relata que a solidariedade dos doadores é fundamental para a continuidade do tratamento. “Eu me sinto feliz por este gesto de solidariedade. É um ato de amor que salva vidas. As pessoas se unem para ajudar quem precisa, e isso faz toda a diferença para pacientes que dependem das transfusões”, afirmou.
Para Jaciara, cada bolsa de sangue representa uma oportunidade de recuperação e esperança. “Saber que uma bolsa de sangue doada está salvando a vida do meu filho é gratificante demais. Eu me sinto emocionada e agradecida por cada doador que tira um tempo do seu dia para doar”, ressaltou.
Conscientização e inclusão
Para o hematologista do Hemose, um dos principais desafios ainda está relacionado à ampliação do conhecimento sobre a doença falciforme. “O que ainda precisamos avançar é o entendimento dessa linha de cuidado por todos os profissionais e serviços de saúde do estado. Quanto mais os profissionais conhecerem a doença falciforme e suas particularidades, melhor será o acolhimento e a assistência oferecidos aos pacientes”, afirmou.
Richer ressalta que a doença vai além dos aspectos clínicos e impacta diretamente a vida dos pacientes e de suas famílias. “É uma condição que afeta profundamente o aspecto psicológico do paciente e de todo o núcleo familiar. Por isso, é importante promover a inclusão e ampliar o entendimento da sociedade sobre a doença, evitando preconceitos e garantindo que essas pessoas recebam o cuidado e a atenção de que necessitam”, acrescentou.
O superintendente também destacou que o Hemose tem buscado fortalecer continuamente a assistência oferecida aos pacientes. “Atualmente estamos implementando ações que vão contribuir diretamente para a qualidade do atendimento, incluindo reuniões frequentes com a equipe multiprofissional do Hemose. Nosso objetivo é aprimorar cada vez mais o cuidado oferecido a esses pacientes e às suas famílias”, concluiu.
Para famílias como as de Jaciara e Shirleide, a doação de sangue representa mais do que um gesto de solidariedade. “Doe sangue. Hoje é a gente; amanhã pode ser você, um filho ou um parente. Doar é uma grande prova de solidariedade e amor ao próximo”, completou Jaciara.



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